ABERTURA

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Ética nos relacionamentos em ambiente profissional

 
 

Rev. José Carlos Piacente Júnior
Capelão da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Doutor e Mestre pelo Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper.

 
 

Você sabe o que é ética? Esta indagação não permite uma resposta precipitada. Para conceituar “ética”, é necessário levar em conta atitudes pessoais e coletivas, contextos histórico e existencial, bem como fazer uma autorreflexão para descortinar motivações internas do coração. Uma proposta ética requer um código de conduta que seja adequado para conduzir tanto a consciência e a reflexão quanto os procedimentos. Sendo assim, para alcançar excelência, esta ciência do comportamento recorre aos conhecimentos disponíveis em várias disciplinas.

 

A História da humanidade tem um papel importante na compreensão ética. Somos essencialmente eticistas. Fatos e narrativas apontam a presença de códigos de conduta pessoal e social que remontam as antigas civilizações do Crescente Fértil, incluindo povos sumérios, mesopotâmicos e hebreus. Neste ponto, o Código de Hamurabi e os Dez Mandamentos apresentam-se como registros históricos pioneiros para descrever um conjunto de ações éticas.

 

Por semelhante modo, a Filosofia grega antiga tem sua notória contribuição. Na verdade, os gregos trouxeram uma cooperação singular para a articulação ética racional e estruturada, de um modo a garantir sua condição como uma disciplina autônoma. Dentre eles, é notável o pensamento de Aristóteles e seu texto Ética a Nicômaco, tanto por sua capacidade lógica e intelectual como precisão metodológica.

 

Vasta teorização ética foi produzida na Idade Média, com destaque para a proposta católico-romana. Mas foi com a Reforma Protestante do séc. XVI, sua ética cristã-reformada e as decorrências da Modernidade, que as disciplinas das ciências sociais – Antropologia e Sociologia bem como vertentes da Filosofia Moderna – interagiram ativamente para fomentar as matrizes intelectuais éticas atuais. Neste ponto, questões e problemáticas éticas foram desenvolvidas sob a orientações de variadas e divergentes cosmovisões.

 

Racionalismo, empirismo, deísmo, naturalismo, evolucionismo, idealismo, existencialismo, marxismo, utilitarismo e outros “ismos”, que interagem com as cosmovisões contemporâneas, forneceram pressupostos teóricos para a ética. Ademais, a presença de pressupostos (subentendidos) é inevitável na construção do conhecimento. E, assim, a tarefa teórico-reflexiva não é neutra; antes, tem de lidar com interferências do subjetivo. Deste modo, uma proposta ética precisa ser examinada para descortinar as pressuposições básicas da cosmovisão que a sustenta. Nesse afã, a cosmovisão teísta e, sobretudo o teísmo cristão-bíblico, é assumido na confessionalidade do Mackenzie como determinante para a ética, inclusive profissional.

 

De fato, todas as cosmovisões interagem com três perguntas elementares da existência humana: “de onde viemos?”; “o que estamos fazendo aqui?”; e “para onde vamos?. Ao tomarmos os pressupostos da cosmovisão cristã, a ética passa a ser centrada em criação, queda e redenção – uma resposta para as três indagações elementares da vida. Por conseguinte, a reflexão intelectual e a prática são orientadas e normatizadas por esses elementos, que, juntos, compõem a temática central da Revelação das Escrituras. No âmbito da ética profissional, a cosmovisão cristã assevera quem é o ser humano, as razões para seus dilemas comportamentais e a esperança de dias melhores por vir.

 

No trato com as pessoas, a ética profissional cristã afirma que todos os seres humanos possuem seu valor derivado da imagem do Deus Criador. A antropologia cristã reconhece a necessidade de lidar com as pessoas a partir dos méritos do próprio Criador. Da mesma forma, compreendemos que as dificuldades de relacionamento, os desvios de caráter e as imperfeições sociais têm sua origem e fomento na queda e seus efeitos. O ser humano se rebelou contra o seu Criador, e o pecado produziu inúmeras consequências. Todavia, sem adotar uma postura ingênua, como se houvesse no ser humano bondade intrínseca, a confessionalidade cristã aponta para uma solução definitiva na Pessoa de Cristo. De fato, toda proposta ética tem como finalidade trazer contribuições de melhoria nos relacionamentos interpessoais e sociais. Objetiva, então, uma sociedade que desfruta de maior qualidade, o que redunda, por exemplo, em mais justiça e bem-estar coletivo. No ambiente de trabalho, benefícios para todos em atmosfera amistosa e capaz de otimizar todas as potencialidades individuais.

 

Com efeito, assumir a cosmovisão cristã implica adotar verdades (subentendidos) que emanam da autoridade da Revelação das Escrituras, e que passam a conduzir a reflexão teórica e as ações normatizadas para tornar o convívio no trabalho e na sociedade mais harmonioso. Tal propósito não visa apenas o relacionamento entre as pessoas, mas acima de tudo com aquele que é o Criador de todas as coisas. Afinal, para responder à pergunta se sabemos o que é ética, precisamos reexaminar cuidadosamente as muitas propostas e desvendar o que é assumido como verdadeiro na formação de sua cosmovisão, a fim de atender com maior precisão aos questionamentos que acompanham a humanidade desde seus tempos mais remotos: de onde viemos, o que estamos fazendo aqui e para onde vamos.

 

Portanto, para ser ético nas relações de trabalho em um ambiente confessional, como é o caso do Sistema Mackenzie de Ensino, todos os envolvidos, pais, mães, alunos, professores, equipes técnica, administrativa e pedagógica, devem juntar esforços sinceros para fazer valer uma ética que deriva de nossa Identidade confessional cristã. Esta ética profissional, cristã-reformada, respeita o próximo por seu valor como criação divina, bem como sabe a origem de suas faltas, porém não prescinde da disciplina e, no final, mantém uma saudável expectativa de que nossos erros foram redimidos na pessoa e obra de Jesus Cristo e, por conseguinte, serão erradicados na eternidade.

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